quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nas Unhas da Serra

Porque de vez em quando vale a pena fazer algo especial, desta vez fomos descobrir Unhais da Serra e o H2otel que se enquadra na perfeição com a montanha.

Chegámos em noite de Lua (quase) Cheia a este lugar mágico, no sopé da Serra da Estrela.

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Depois de um excelente jantar e de uma noite muito bem dormida, em perfeito repouso, tomámos um grande pequeno-almoço (passo a incongruência) antes de iniciarmos uma bela caminhada, acompanhados pelo guia André Matos, que nos foi contando algumas curiosidades e lendas da zona.

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Partimos da Fonte da Saúde e seguimos por uma canada (antigo trilho dos pastores, que ainda hoje são usados)

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Mais à frente fomos dar à Cadeira dos Desejos, onde eu pedi “Dinheirinho, Dinheirinho, Dinheirinho e Muuuunta Saúde!!!”

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Conta a lenda (e contou-nos o André) que era aqui que a Princesa Sabina vinha sentar-se enquanto pensava no seu amado, o Aleixo. Vou tentar reproduzir aqui a lenda como a recordo.

«Aleixo era um padre, de origem russa, que veio parar a Unhais da Serra. Um dia, enamorou-se pela bela Princesa Sabina e decidiu deixar os seus votos e desposá-la. No dia do casamento, Sabina esperou, esperou… mas o seu Aleixo não apareceu. Então Sabina vinha até aqui, onde se sentava nesta cadeira de rocha, desejando que Aleixo voltasse… Mas ele nunca voltou.

Anos mais tarde, apareceu um eremita, que vivia por baixo de uns alpendres e curava as gentes que por lá passavam. A fama de curandeiro era tal que as pessoas lhe ofereciam abrigo, mas ele nada queria. E assim foi até um dia o eremita morrer. Morreu com um pergaminho apertado na mão. A mão petrificada não deixava que o pergaminho se libertasse. As pessoas passavam por lá, prestando-lhe uma última homenagem. E Sabina, já idosa, resolveu também prestar homenagem a este ancião que curava as pessoas. Quando ela se chegou perto dele, a mão abriu-se e o pergaminho caiu, deixando ler naquelas linhas manuscritas:

“O meu nome é Aleixo e de nada me queixo. Neste mundo somente deixo a minha bela Princesa Sabina.”

Anos mais tarde, Aleixo foi feito santo e é actualmente o padroeiro de Unhais da Serra.»

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Mais uns passos por estes bonitos e descobrimos uma rocha semelhante a um réptil que nos observa lá do alto. Conseguem ver?

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Mais à frente temos outra zona emblemática. Qualquer pastor que se prezasse nesta zona, passava para a frente do seu rebanho. Era aqui a Cova do Lobo. O local perfeito para ele emboscar alguma ovelha mais incauta.

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Continuando a caminhar nesta luminosa manhã de Inverno,

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Vamos passando pelos rios, ribeiros e riachos que cruzam o nosso trilho.

Esta é uma região fértil em água. E água fértil e límpida, ou não nadassem aqui as exigentes trutas, que os antigos habitantes da zona apanhavam literalmente “à unha”!! Aliás, o nome Unhais da Serra deriva mesmo daí, conforme se pode ler na Lenda de Unhais da Serra.

Mas com unhas ou sem, as minhas mãos começam a arrefecer. Tockandar, que está frio e há zonas no trilho que ainda não derreteram.

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Vamos até à Central Hidroeléctrica

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E daí começamos a subir, avistando ao longe o H2otel.

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E do outro lado, a serra, coroada de branco.

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Avançamos em direcção ao pinhal e ao marco geodésico.

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Embrenhamo-nos mais no bosque para descobrir Cortes de Cima

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Quando de repente vejo algo que nunca tinha visto… Assim tão ao pé e tão solto no meio da sua natureza…

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Uma raposa!! E logo a seguir aparece mais outra!!!

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Um casal de raposinhas a namorar pelo pinhal a fora!! Vinham tão entretidas que nem deram por nós… E quando deram, limitaram-se a observar-nos e a sorrir para a foto. :)

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Deixamos as raposinhas no seu alegre namoro e voltamos a atenção ao trilho.

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E mais à frente, às flores… Camélias e alecrim…

Paramos para merendar à beira de um riacho…

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E depois seguimos viagem, já com a barriguita mais composta, prontos a dizer “Olá"!” a esta vaquinha que se deleita comendo a relva fresca e verde.

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O trilho avança e sobe novamente, oferecendo-nos outra perspectiva da vila de Unhais da Serra.

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Depois viramos à beira de uma árvore enorme

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E entramos num bosque de estevas, tão altas como nós…

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Cruzamos mais um riacho… A água sempre presente nesta caminhada…

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E 16km volvidos, regressámos ao hotel para spazar um bocado…

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Invadindo Sobral da Abelheira

Sábado fomos invadir Sobral da Abelheira.

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Terra pacata, de paisagens rurais, sem abelhas, mas com muitos morangueiros, foi invadida por mais de 40 alminhas que têm bichinhos carpinteiros nos pés e não gostam de ficar na cama até mais tarde no sábado…

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Cama? Isso é pra meninos!! Esta malta gosta é de andar!!!

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E que melhor maneira de aproveitar o dia, senão caminhando por entre estes campos verdes e floridos?

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Com as camomilas a dar um ar da sua graça e relaxando-nos com o seu aroma, lá fomos descobrindo os trilhos por entre a vegetação…

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Subindo as colinas em redor…

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Observando à distância o objectivo da próxima caminhada (a Serra do Socorro)

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Por entre as flores avançámos,

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Como uma serpente multicolorida com mais de 80 perninhas.

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Tockasubir!!!

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Eu bem disse que éramos muitos!!! Quase nem cabíamos na foto!!

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Lá de cima, a paisagem era linda…

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E era ver os cardos em flor…

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Bem perto, um moinho, onde paramos para merendar…

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E observar uma vez mais a paisagem de verde pintada, salpicada de flores…

Depois foi altura de saltar pocinhas…

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E cheirar as flores de Inverno…

E enquanto uns se entretinham a apanhar limões,

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Eu ia colhendo flores…

E paisagens floridas…

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E assim chegámos a uma boa subida pelo bosque…

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E tockasubir!!!

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Uma vez lá em cima tínhamos uma lagoa… “Ai se o tempo estivesse bom…”, dizia alguém…

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E entre belas flores…

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E formosos limões, lá continuámos a nossa caminhada.

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Ao passar por um jardim, já bem pertinho do fim, lá colhi mais umas florzitas…

Sobral da Abelheira já estava à vista,

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E foi com olhos bem sorridentes que terminámos mais uma verde caminhada.